Morre aos 47 anos George Torres, liderança histórica do movimento estudantil potiguar
Militante que ajudou a construir importantes capítulos do movimento estudantil de Natal deixa mulher e filho; velório acontece nesta quarta-feira (23), nas Rocas
O movimento estudantil do Rio Grande do Norte perdeu, na terça-feira (22), uma de suas importantes lideranças históricas. George Torres morreu aos 47 anos, deixando a esposa e um filho. Segundo informações da família, a causa da morte foi um edema pulmonar.
O velório acontece nesta quarta-feira (23), no Centro de Velório Comunitário das Rocas, localizado na Rua São Pedro, nº 102, no bairro das Rocas, em Natal.
A trajetória de George Torres se confunde com um período de intensa mobilização da juventude potiguar. Morador de comunidades marcadas pela vulnerabilidade social, encontrou no movimento estudantil uma possibilidade de transformação pessoal e coletiva. Foi a partir de um convite do amigo Ailton, então presidente do grêmio da Escola Estadual Café Filho, que teve o primeiro contato com a militância.
A participação em uma reunião abriu um novo caminho. George foi eleito presidente do grêmio da Escola Estadual Café Filho e, posteriormente, também presidiu o grêmio da Escola Estadual Isabel Gondim. A atuação nas escolas o levou à União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES Natal) e, depois, à direção da Associação Potiguar dos Estudantes Secundaristas (APES), onde exerceu a função de tesoureiro.
Nas ruas, uma juventude que queria ser ouvida
Entre plenárias, assembleias, congressos e reuniões, George participou de momentos marcantes da mobilização estudantil em Natal. Um dos episódios de maior repercussão foi a organização da chamada “Passeata dos 5 mil”, que reuniu milhares de estudantes nas ruas da capital potiguar em defesa de pautas como a meia-passagem, melhores condições e maior participação da juventude nas decisões que afetavam seu cotidiano.
Era um período em que a mobilização dependia de panfletos, reuniões presenciais, articulação entre grêmios e do tradicional boca a boca. Antes das redes sociais e dos smartphones, a organização estudantil acontecia nos corredoresdas escolas, nas plenárias e nas ruas.
George também participou, em 2002, de uma das manifestações que ficaram registradas na história política do Rio Grande do Norte: o ato que ficou conhecido como lavagem das calçadas da Assembleia Legislativa. A manifestação foi organizada pela APES e pela UMES, com participação da OAB/RN e de lideranças como Valério Marinho, então presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no estado. O protesto fazia críticas à corrupção durante o governo Garibaldi Alves Filho.
Uma vida marcada pela militância
Com o passar dos anos, George acompanhou as transformações pelas quais passou o movimento estudantil. Novas pautas ganharam espaço, entre elas, o combate ao racismo, as ocupações de escolas e, posteriormente, a utilização das redes sociais e das ferramentas digitais como instrumentos de mobilização.
Apesar das mudanças, manteve uma compreensão construída ainda nos anos de militância: a importância da presença nas escolas, da escuta da juventude, da organização de base e da ocupação dos espaços públicos.
Sua história representa uma geração que encontrou nos grêmios estudantis e nas entidades representativas um caminho de participação social e política.
A trajetória de George foi registrada no livro “Nós, Eles e o Movimento Estudantil – 45 Anos”, obra que recupera histórias, personagens e acontecimentos do movimento estudantil potiguar entre 1979 e 2025.
No relato publicado na obra, sua passagem pelo movimento estudantil é apresentada como muito mais do que uma experiência da juventude. Foi um período de formação, descoberta e transformação, marcado pela participação em manifestações, congressos, plenárias e pela construção coletiva de bandeiras que mobilizaram milhares de estudantes.
Um capítulo que permanece na memória
A morte de George Torres encerra uma trajetória de 47 anos, mas também deixa registrada uma parte da história do movimento estudantil do Rio Grande do Norte.
Para antigos companheiros de militância, estudantes e lideranças que conviveram com ele, sua história permanece ligada às ruas de Natal, aos grêmios, às entidades estudantis e às manifestações de uma época em que milhares de jovens descobriram, na organização coletiva, uma forma de reivindicar direitos e participar da vida pública.
George deixa a esposa, o filho, familiares, amigos e uma geração de companheiros de caminhada. Deixa também seu nome registrado na memória do movimento estudantil potiguar.
O velório acontece no Centro de Velório Comunitário das Rocas, na Rua São Pedro, nº 102, no bairro das Rocas, em Natal.
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